Um novo episódio

Fade in. Noite. Movimentação de carros e pessoas. Rua, fachada da Lex Luthor. O final de semana passado não havia sido nada expressivo. Os mesmos lugares de sempre com as mesmas pessoas e os mesmos conflitos. Tinha algo pior no ar, a ressaca sentimental do que não havia acontecido em São Paulo. Sábado, a noite foi na Lex Luthor. Mais uma vez, de certa forma, contrariado, eu fui. Ficar trancado em casa nessas horas não resolve muito, principalmente se tudo que você vê, toca e sente, te remete a uma sinestesia involuntária. Sair talvez também não fosse bom negócio. Isso é terrível, brega e um grande chavão nos meus textos e nos meus dias, mas em cada canto que passo, em cada parede e esquina que cruzo, existe um pedaço do meu coração. Arghhh... Essa foi a pior! A gente vai vivendo e espalhando histórias e sentimentos, mal-resolvidos, inconcluídos e jamais imaginados. Bom, a Lex Luthor estava lotada. Muita cerveja, algumas danças esdrúxulas, a volta do conselheiro sentimental, que só sabe ajudar os outros e não dá jeito na própria situação, e nada mais. Domingo a tarde, uma breve tentativa de diversão na Trilha de Jeeps e Gaiolas, mas a poeira cegava os olhos, secava a garganta, deixava tudo meio nebuloso, confuso e absurdo. Stress, cara feia, refúgio do lar doce lar. A noite, nem o vinho que estamos acostumados apareceu. A ressaca de sábado ainda estava presente, e o dia seguinte prometia muitas incertezas.
Na segunda de manhã, começou na biblioteca o Projeto Agosto Folclórico. Receberemos, durante 2 semanas, alunos das escolas de Ensino Fundamental da cidade para conferir exposição de brinquedos, contação de histórias e teatro com personagens folclóricas. Estávamos todos eufóricos, não sabíamos como ia ser, mas tiramos tudo de letra. A primeira vez é sempre mais difícil, não tem jeito. Os atores da Quintal das Artes estão dando um show de interpretação, divertindo e encantando as crianças. A Fatinha, funcionária da biblioteca, tem um jeito todo especial para contar histórias aos pequenos. As professoras, na sua maioria, saem satisfeitas da biblioteca, que possui agora novas instalações e está totalmente modificada para atender às necessidades dos seus sócios. O fato é que o projeto vem sendo muito prazeroso para todos nós. Especialmente em relação ao Teatro, é maravilhoso trabalhar para crianças, o público mais sincero que pode existir. Vê-los com os olhinhos brilhando ouvindo o canto da Yara, e dando gargalhadas com o fazendeiro correndo atrás do Saci e do Lobisomem, já vale todo trabalho.
A noite de segunda-feira previa uma grande tempestade. Ainda tentava entender o que havia ocorrido na sexta-feira. Tentava também encontrar a melhor forma de lidar com o aparente desprezo que enfrentava. Foi então que, um recado muito bem dado apareceu numa das páginas da internet que, até esse dia, eram constantemente acessadas por mim. Era o fim! Depois disso, já não havia mais o que fazer. O final de semana tinha sido ruim só pra mim, só pra mim mesmo. As paixões podem acontecer a todo momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Ninguém está livre da flecha do Cupido, do encantamento de algo novo, da chance de se abrir a uma nova possibilidade. Mais cedo ou mais tarde, isso iria acontecer. Era previsto. Depois da "temível" certeza, a cena seguinte foi de nó na garganta, olhos bem abertos quase pulando pra fora, frio na barriga, e a clássica pergunta: "e agora?". Não, não chorei, não fiquei mal, felicidade também não foi, sei lá. Grito de socorro no msn! Mais uma vez, foi o Che que estava lá para me ajudar. Conversa vai, conversa vem, um conselho, uma palavra de ajuda e, aos poucos, a sinceridade foi tomando cada vez mais espaço, virando um grande desabafo, sem choro, sem velas, um diálogo de adultos com doses cavalares de verdade (minhas estúpidas e desinteressantes verdades que nunca dizem nada a ninguém). Dormi sem saber como seria o dia seguinte. O dia seguinte? Sabe quando parece que você carrega o mundo inteiro nas costas, quando você sai do trabalho cheio de materiais, de tralhas, e chega em casa querendo se livrar do peso, senta no sofá e estica as pernas? Então, a sensação era de alívio. Há tempos eu não me sentia tão bem, tão feliz e disposto. Não entendia muito bem o porquê que a notícia da noite seguinte não causava efeito colateral nenhum. Eu só sabia, naquela manhã, que aquilo era exatamente o que eu precisava, pra cortar as correntes, pra voltar a respirar, pra pegar o lápis e botar o ponto final nessa história inacabada, complexa, que já tinha durado muitas temporadas, tinha cansado o público, e que, se continuasse, seria história repetida. Foi lindo tudo que vivi, não abro mão de nada, não renego e não me arrependo, mas a vida e o amor sabem muito mais que nós. Se eles nos mostram que acabou o caminho, que é fim de linha, que o jeito é descer do trem, não há mais o que fazer. É luta perdida. Saio de cabeça erguida, não estou em cacos, nem em ruínas. Também não vou ser hipócrita de dizer que saio satisfeito. Saio conformado, mas é aquele conformismo bom, que não me deprime e nem faz com que me sinta derrotado, fraco. Saio de cena com a sensação de que, da minha parte, tudo que poderia e deveria ser feito, foi feito.
A semana passou como um foguete. O projeto na biblioteca faz com que o dia seja mais curto. Mantenho ainda a mesma adrenalina de sempre quando os alunos da Quintal vão entrar em cena. Fico mais #tenso quando vou acompanhar uma apresentação deles, do que quando vou atuar. E essa sensação duas vezes no dia, não é mole não. Ainda falando sobre Teatro, quinta-feira foi de noite decisiva. Dividimos o grupo e decidimos, enfim, o elenco dos dois musicais que a Quintal das Artes vai estrear, se tudo der certo, até o fim do ano. Paulo e eu vamos trabalhar juntos, mas prioritariamente, a direção de "Casa de Brinquedos", com músicas de Toquinho, será do Paulo, e eu fico com a direção da outra peça, "Somos Todos do Jardim da Infância", texto de Domingos de Oliveira. Para definir o elenco dessa última peça, fizemos uns testes de dança com os atores. Ao som da música "Broto Legal", grande sucesso da década de 60 com o cantor Sérgio Murilo, os atores, divididos em pares, apresentaram uma coreografia. Lislaine foi meu par e me ajudou a passar a coreografia para eles. Nisso, foi joelhada, cotovelada, chute pra todo lado. Muitos tombos rolaram e as marcas desse momento especial continuam em mim e nela até hoje hehe. No fim, deu tudo certo. Agora, é trabalhar com os grupos separadamente e montar os espetáculos.
Sexta-feira a noite chegou e o destino foi o bar do Deoclides, depois de uma passadinha no posto. Fomos eu, a Lis, o Éder e o Che. Estava animadíssimo. A pedida foi cerveja. Coca-cola para Lislaine! A conversa foi divertida e bem cabeça. O tema? As eleições, mais precisamente, o horário político obrigatório, que vem tirando, mais uma vez, um grande sarro da nossa cara e de todos os brasileiros. Que tipo de gente esses candidatos pensam que vive aqui no Brasil? Como não nos sentirmos humilhados perante o despreparo visível dos que concorrem a cargos importantes na política do país? Como é triste ver o quanto que o brasileiro tem memória curta, e o quanto que a lei do pão e circo sobrevive ainda nos dias de hoje... Bom, o papo rolou em tom de comédia, com uma certa indignação implícita. Depois, encontramos Aline e Giovana no bar. Conversamos bastante. Já estávamos indo embora. A noite foi calma e agradável. Sábado a tarde, reencontramos Aline e Giovana em um churrasco. Dessa vez, Che foi comigo. Lis não apareceu, dormiu a tarde inteira. Che me ensinou a jogar truco. Fiz dupla com Aline na mesa. Giovana foi com o Che. Estavam lá mais uns amigos da Aline, e a irmã da Giovana que disse que acessa meu blog hehe. Tomei muita cerveja e alguns goles de caipirinha. 7 e meia da noite, já estava em casa. Soube depois que o churrasco durou até às 4 da manhã. Haja energia! Enquanto o churrasco continuava na casa da Aline, estávamos na praça. Maikinho e Leandro, que estava impossível falando mais que a boca, também apareceram. O fim da noite foi na lanchonete, perto de casa, o que facilitou bastante o caminho de volta.
Domingo, passei a tarde toda em casa, depois de um almoço delicioso na casa da tia. A noite não saí, tive que ficar em casa, mas me parece que não fiz muita falta... Bom, tem um lance acontecendo desde segunda-feira passada. Alguém com quem converso há bastante tempo no msn, esteve se comunicando bastante comigo nos últimos dias. Mora um pouco longe, é adorável, gostos parecidíssimos com os meus. Recebi depoimento todo dia, liguei algumas vezes. Ontem nos falamos no msn a noite, por isso que não saí. Sei lá o que está rolando, sei lá se vamos nos encontrar, mas, no meio de tanta coisa ruim e confusa, é uma luz, dá pra se distrair, com esse amor inventado, uma forma de acreditar que nem tudo está perdido. Estou me acostumando com esses lances que duram pouco tempo, poucos episódios. Hoje em dia, quem tá querendo se amarrar de verdade? Ninguém! É só beijo, sexo, pele. Eu, como estou ainda na Idade da Pedra e não me adaptei a todas essas modernidades, vou acreditando que um dia apareça aí alguém, que fique de verdade, que entre para a história de verdade, e que não apareça só pra ensinar uma lição e sair fora, deixando mais uma vez que eu termine a cena assim, de costas pra câmera, ainda caminhando, ao som de algum rock ultrapassado dos anos 80 ou 90. Sobe a câmera, que foca agora a paisagem do sol se escondendo atrás da montanha, em meio às chaminés de uma cerâmica, que estão em primeiro plano, revelando uma paisagem bucólica de um inverno às avessas. Fade out.

De volta a São Paulo

Às 7 da manhã, estava de pé, cansado, muito cansado. Tinha dormido pouco a noite. Tomei o café-da-manhã e arrumei minhas coisas, logo Lis e Che apareceram. Paulo chegou, passamos para pegar a Josi e pé na estrada. O sol estava latente essa hora, mas o friozinho da manhã ainda resistia. Levei tanto casaco que podia enfrentar uma nevasca pelo caminho. Tinha me esquecido que em São Paulo também faz calor, e quando faz, é mais quente que aqui. Fui na frente. Essa é a vantagem que tenho de ser grande, sempre me colocam na frente. O rádio do carro tocava ora mpb, ora rock dos anos 80. Não pegamos muito trânsito. A ida foi tranquila. Logo chegou a hora do almoço. Paramos no posto Graal, aquele que imita as lanchonetes americanas dos anos 50. Sempre tive vontade de entrar nele, mas o ônibus que usava toda vez que ia para São Paulo, parava num outro posto, que fica antes, em Limeira. Almoçamos. Depois, a viagem seguiu. Era inevitável que no caminho, lembranças surgissem em minha mente. Teve época em que fazia o mesmo percurso e rezava para o ônibus chegar logo porque tinha aula ainda de manhã. Teve época em que rezava pra chegar logo porque queria dormir na minha cama. E teve época em que queria chegar logo para acabar com a ansiedade de encontrar meu amor. No meu discman, que depois virou mp3, tanta música me acompanhava, tanta música me ajudava a dormir no ônibus, o que sempre foi difícil pra mim. A parte que mais gostava era quando chegava na Marginal. A vista da cidade descendo, do ponto mais alto, pro ponto mais baixo. Há quase um ano não pisava em São Paulo. Nessa hora, dentro do carro, meu coração pulsava como a luz que pisca nos projetores antigos do cinema, para cada segundo de história. O trânsito estava agitadíssimo. Lembrei do quanto que me assustei uma vez que ouvi um especialista dizer na televisão que chegará um dia em que a cidade de São Paulo vai entrar em colapso, que os carros não conseguirão mais rodar, nem pra frente, nem pra trás. Um erro de cálculo fez com que nos desviássemos um pouco do caminho. Logo depois, chegamos na Bienal. O calor estava insuportável e isso fez com que abandonássemos os casacos no carro. No estacionamento, vimos um carro amarelo, chamativo, passando por nós. Olhei e vi que a placa era de São Bernardo do Campo. Isso parecia um sinal? Talvez, mas exatamente de que eu não soube responder, não naquele momento.
Entramos pelos portões da Bienal, que estava repleta de gente. Foi um dia divertido! Passamos por vários stands. Os da Panini, da Editora Globo, do Submarino e da Saraiva, foram os mais interessantes pra mim. Foi no stand da Panini que encontramos a turma da Mônica, que causou um grande alvoroço por lá. Lis, Josi e eu tiramos fotos com o Cascão. Che tirou com a Magali. E os sortudos, que conseguiram foto com a disputadíssima Mônica, foram o Che e a Josi. Ainda na Panini, encontramos o batmóvel, um barato. Num outro stand, vi versões de bolso de livros com grande sucesso por aqui. "Melancia", da Marian Keyes, e o que eu me arrependi de não ter comprado, "O Diário de Bridget Jones". Grandes painéis em homenagem a Monteiro Lobato e Clarice Lispector também chamaram minha atenção. Tiramos fotos também num outro stand, com o criador e a criatura: Monteiro Lobato e Emília, do "Sítio do Picapau Amarelo". No stand da Editora Globo, vimos um grande painel com a capa do livro "Lady GaGa, a revolução do pop". Teatro de bonecos e contadores de histórias em apresentações para crianças se via a todo momento. Uma pausa para um lanche. Optamos pela Casa do Pão-de-queijo. Que saudade! Tinha uma lanchonete quase na frente do meu prédio. Muitas tardes, descia e ia até lá. O pedido era sempre cheddar e doce-de-leite. Deu pra matar a saudade do pão-de-queijo recheado com doce-de-leite. Fantástico!
Bom, a essa altura do campeonato, estávamos todos exaustos de tanto andar por aqueles corredores. Na saída, um grande sol vermelho se preparava para se esconder de nós. Por qual ângulo se devia ver a paisagem desse sol vermelho, lindo de tanta poluição?
Pegamos a estrada de volta a Tambaú. Além do cansaço, outra sensação batia forte em mim. Não vou negar que eu tinha expectativa de que pudesse ter ocorrido uma mudança de planos, e que eu tivesse uma surpresa, um encontro ocasional que salvaria o dia. Não podia acreditar que iríamos estar tão perto, e continuaríamos tão longe. Havia pensado em ficar, em passar o final de semana em São Paulo, pra tentar pela última vez, resolver as coisas, e tentar pôr tudo no lugar. Mas a falta de notícias e de interesse, me fez desistir da idéia. Mesmo assim, um fio de esperança me acompanhou a viagem toda. Cada vez em que olhava para as pessoas que a todo momento passavam por nós, eu sabia por quem procurava. Sabia também que, se perdêssemos essa chance, nada mais teria conserto, que aí chegaria a hora de realmente jogar a toalha. Não pensei em nada cinematográfico, sem choro, sem vela. Quanto mais singelo fosse, mais bonito e mais real seria. As palavras seriam desnecessárias porque os olhares diriam tudo, um para o outro. Mas não foi nada disso. Do jeito que fui, voltei, despedaçado, um quebra-cabeça sem algumas peças. Não quero pisar em São Paulo tão cedo, foi o que pensei. Eu volto, mas só depois que a saudade se afastar de mim...
No caminho de volta, o trânsito estava intenso. Agora era hora de rock' n roll, highway to hell. Mais uma paradinha para comer, dessa vez, pizza. Por volta de 10 da noite, estávamos todos em casa. Tomei um banho e caí na cama, como num desmaio. Estava exausto, não tinha mais condições de pensar, não queria mais pensar em nada. E antes de dormir, me perguntei se alguma outra vez, eu quis que um dia começasse de novo.

Eventuais

Depois do sucesso do evento com a Kamerata, começamos os preparativos para o Projeto Agosto Folclórico, que terá início na próxima segunda-feira. Che fez desenhos dos personagens folclóricos, Paulo preparou a exposição de brinquedos, Lis e Fatinha selecionaram e imprimiram as parlendas, os ditados populares e frases folclóricas, eu cuidei do cd que será utilizado nas apresentações teatrais que terão a participação dos atores do grupo de Teatro da Quintal das Artes, Marcinha ficou na arrumação e limpeza do espaço, e a Josi, na organização de tudo isso.
Foram dois dias de trabalho em cima disso, para deixar tudo pronto para segunda-feira.
Na quinta-feira, fui com o Paulo visitar a Feira de Ciências da Escola Padre Donizetti. Adoro a escola. Estudei durante 10 anos nela, tenho muita história pra contar daqueles corredores e salas, e muito orgulho disso. A Feira realmente me impressionou pela decoração das salas. Vimos a participação das cerâmicas tambuenses na exposição de vasos e objetos cerâmicos, a sala de literatura com os alunos caracterizados de personagens de grandes obras como "O Primo Basílio" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", a sala de fotos antigas da Semana Universitária, da Fanfarra, do Padre Donizetti, do povo de Tambaú. Na sala de filosofia, dedicada a cultura na cidade, fotos dos trabalhos realizados pelo Grupo Curtura de Teatro. O Che e eu estávamos lá, numa foto do espetáculo "Sexo dos Anjos". Por fim, assistimos uma apresentação teatral dos alunos da escola, com alguns alunos do grupo de Teatro da Quintal, sobre a história de Tambaú. É ótimo vê-los colocando em cena, independentes, sem a nossa direção, aplicando tudo que aprenderam.
A noite, uma festa em comemoração aos 112 anos de emancipação político-administrativa de Tambaú aconteceu na praça Santo Antonio. Fui o apresentador do evento, ao lado do DJ Andrá Boka. No evento, apresentação de dança da Academia Fabiano Bueno, e números de humor com o grupo Mutretas Stand Up. Meus amigos apareceram por lá. Entre uma apresentação e outra, divulguei no microfone os eventos da cidade, inclusive a balada Túnel do Tempo da DJ Céia, e distribuí cds da dupla Ricardo e João Fernando, que estarão em Tambaú no final de semana para tocar na Lex Luthor Club. Bem rápido e objetivo! Logo depois, começou o show da banda "Os Virgens". Nessa hora, já estava com a galera, tomando uma cerveja. Curti muito o show! Os caras, vestidos com macacões coloridos, foram de Lady GaGa, Wando, Rolling Stones, Mamonas, Balão Mágico, Black Eyed Peas... Lislaine subiu no palco com Neto e Rodrigo para dançar a música do "Churros". Um barato, impagável!
A uma certa altura, tinha perdido a conta de quantas cervejas tinha consumido. A agitação e a confraternização com a galera foi intensa, e nem percebi o quanto alcoolizado estava ou não. No fim do show, para finalizar o ritual de sempre, fomos de vinho na porta do Mancha. Depois, sentados, o álcool começou a fazer efeito, em mim e no Che também. Eu estava mais, o Che não tinha bebido tanta cerveja assim. A Lis foi embora, precisava dormir para acordar cedo no dia seguinte. Alan também já havia se despedido. Leandro fez uma aparição relâmpago. O Éder, nós perdemos de vista. Então, o Che e eu começamos a conversar. E piiiiiiiiiiiii...

Fora do ar, com problemas técnicos de transmissão. A conversa durou até as 2 da manhã, no banco da praça, perto da estátua do José Gatto, onde Che, Alan e eu já estivemos muitas vezes, conversando sobre tudo. Era o nosso banco, nosso canto. Madrugadas e madrugadas ali sentados, até altas horas. O papo não mudou muito. O tempo passa e tem algumas coisas que continuam exatamente iguais. As relações mal-resolvidas, o inconformismo perante tudo, o quanto que somos bons, ou não, para merecer isso ou aquilo. Ficamos bêbados e não fazemos mal a ninguém, e se enchemos o saco, enchemos o saco uns dos outros. Assim fica tudo certo. E nós vamos tentando juntos entender o que a vida quer de nós...

Kamerata

A Biblioteca Municipal "Professor Sebas" abriu suas portas nesta noite para receber a Kamerata da cidade de Mococa, uma orquestra de Câmara, regida pelo Maestro Coelho de Moraes. Um público ótimo, em termos de quantidade e qualidade, prestigiou o evento. Entre outras pessoas, várias autoridades compareceram, inclusive o Patrono da Biblioteca, o Professor Sebas Sundfeld. Fiz uma pequena apresentação no início, com um texto explicando as conquistas e melhorias da Biblioteca. Todos saíram satisfeitíssimos com a boa música, e com o trabalho que a Associação Cultural Quintal das Artes realizou nesses três meses em que é responsável pela Biblioteca Municipal. Isso me faz ter um grande orgulho de fazer parte dessa equipe. Trabalhar com arte, cultura, através do Teatro, e com outra fonte infinita de riqueza de conhecimento, os livros, e com uma equipe que dá o sangue para ver o trabalho acontecer, é muito gratificante.
Nesses três meses, a Quintal adquiriu para a Biblioteca mais de 70 livros novos, grandes lançamentos. Foi feita a informatização do espaço, com computadores para uso dos leitores, e dos funcionários. A decoração foi bastante modificada para facilitar o acesso dos leitores às estantes, e tornar o local mais arejado, e mais cômodo para a leitura, mais bonito e agradável também. A Biblioteca recebe todo dia jornal, de nível nacional, atualizado, através de assinatura, e toda semana, renova suas revistas. A área infantil ganhou pufes coloridos, decoração especial e tapete educativo. Existe também a divulgação do acervo e de todas as novidades da biblioteca através das redes sociais na internet.
Na próxima semana, começa na biblioteca o Projeto Agosto Folclórico, quando receberemos durante 2 semanas, crianças de todas as escolas do ensino fundamental aqui de Tambaú, para uma exposição de brinquedos do nosso folclore e apresentações cênicas, com os atores do grupo de Teatro da Quintal.
A Quintal ainda tem muito a realizar. A biblioteca passará ainda por reformas, na sua fachada. O Museu Histórico está sendo preparado para inauguração em dezembro deste ano. E o grupo de Teatro que, além de seguir com as apresentações de "Sexo dos Anjos", ensaia agora dois novos projetos para estrear em breve.
Ver tudo isso acontecendo é muito empolgante, pois Tambaú se torna uma cidade privilegiada. Como disse, ainda há muito o que fazer, mas as conquistas já foram muitas, e quem se beneficia com tudo isso é a população tambauense, que pode ter um contato direto, agradável e saudável com a arte, e com o prazer pela leitura.

Flashbacks

A manhã de sábado veio com a inevitável sensação de ressaca moral. Você acorda, lembra do que disse, do que fez, e se pergunta: por que tudo isso aconteceu? As consequências também sempre esperam por nós. Uma hora, terá que dar a cara a tapa e ver o tamanho do estrago. O Che ligou logo de manhã. Tínhamos combinado de ir na casa do Alan. Não pensei que ligaria. Talvez fosse uma boa idéia não ver nenhum personagem da história da Sexta-feira 13 passada, pelo menos, não tão cedo, logo pela manhã.
O Alan se mudou essa semana para uma nova casa. É perto do trabalho, num ótimo lugar, e pra quem vai morar sozinho, está de ótimo tamanho. Ajudamos no que pudemos a conseguir alguns itens pra casa nova. Torço muito pelo Alan, e esse é um importante passo que está dando. Está num bom emprego, com carteira assinada, gosta do que faz. Ele continua firme e forte no teatro, e também na igreja, que é algo que ele sempre precisou.
Che e eu chegamos juntos. Estava tudo certo. Nossa fisionomia não escondia que algo errado havia ocorrido na noite anterior, mas estávamos realmente dispostos a deixar o possível mal-estar de lado. Nós três ficamos um tempo conversando, dando risada das mesmas piadas e brincadeiras de sempre, as mesmas desde quando nos conhecemos, quando passávamos madrugadas inteiras sentados na praça, falando da vida.
Meus pais passaram a tarde inteira fora, ajudando na arrumação da festa de logo mais a noite. Aproveitei pra dormir, assistir uns dvd's, ouvir umas músicas antigas.
A noite, Lis e Che apareceram em casa, como combinado. Fomos pro aniversário juntos. O Éder iria aparecer depois. Sábado foi a festa de aniversário da Aline, minha prima. Uma festa de arromba com direito a muitas bebidinhas e dj tocando flashbacks! Nossa mesa estava animada. Giovana, Gabi e os meninos, amigos da Aline, estavam por lá. Mais uma vez, como no ano passado, Lis e eu, modéstia a parte, demos um show na pista. Twist, funk sexy, música latina... Nos entendemos demais na dança. Lis é maleável e criativa, me segue e me incita passos, é tudo ousado e energético. Che e Éder também caíram na dança. Quase ganhei 10 reais do Che, mas ele estava certo: meu pai não quis fazer sequer um passinho de funk, nem pra me ajudar a embolsar uma grana extra de mais uma de nossas apostas absurdas. A aniversariante esteve brilhante, mais feliz do que nunca. Nem o frio a abateu. Pulava de roda em roda, dançou com todos. Causamos um frisson nos convidados ao dançarmos juntos, colados, e isso me inspirou a fazer o mesmo com as outras convidadas jovens e solteiras da festa. A Aline é muito querida. Nossa infância juntos foi em pé-de-guerra, brigávamos demais. Ela me assustava com histórias de terror, eu puxava seus cabelos. Hoje nos damos muito bem, somos confidentes. grandes amigos. Ela tem me ajudado bastante a superar as perdas recentes que tive, exatamente porque ela tem passado pela mesma situação. Estamos bem e felizes, apesar de tudo.
A cerveja não caiu tão bem essa noite pra mim. Parei cedo de beber. E o frio fez com que fôssemos embora, sem antes tirar algumas fotos, por aí afora, na cidade. A noite foi ótima!
Domingo foi dia de evento. Fomos Lis, Che e eu para o recinto curtir as bandas de rock, que tocaram na Trilha de Moto aqui em Tambaú, evento que marcou o início das comemorações do aniversário da cidade. Ainda falarei bastante desses eventos aqui. Bom, o frio estava cortante. Uma pequena pausa para um banho e para comer, e rua de novo! No posto, Alan e Leandro apareceram. O frio nessa hora já estava insuportável. Pensei na noite mais fria do ano. O sono também veio. Uma última parada: Bar do Mancha, e os três perdidos numa noite suja, eu, Lis e Bruno, nos sentamos para tomar vinho, nosso velho companheiro dos finais de semana.
A semana será trabalhosa. Eventos da Quintal, novas chances de eu bancar o apresentador, projeto na biblioteca, algumas decisões, e uma viagem para São Paulo, tudo isso espera por nós.

O dia em que a Terra parou

Sexta-feira 13. Passei o dia todo planejando algo especial. Queria escrever um conto de terror, com a história de um serial killer à solta na cidade, numa noite em que uma turma de amigos se reúne para ver clássicos de suspense do cinema americano. As personagens seriam as mesmas desse blog: a Lis, o Che, eu. O Éder talvez poderia aparecer. O Leandro ficaria com aquela parte que nunca falta num bom suspense, a hora engraçada da história, com uma morte improvável, ou então uma tentativa de fuga absurda. A Lis seria a primeira vítima. Os serial killers sempre preferem as mulheres. Ela atenderia o telefone e uma voz ameaçadora e cafona diria frases típicas: "eu estou mais perto que você imagina", "você quer jogar?", "primeiro diz o seu (nome), depois eu digo o meu"... Logo depois, toda tentativa de fuga seria frustrada, e ela acabaria, num último equívoco, facilitando o trabalho do assassino. O Éder cairia no velho truque da cerveja que acabou, seguido de "eu já volto". Nunca diga "eu já volto" numa situação de suspense. Você não vai voltar. Na cena final, sobrariam o Che e eu. Três hipóteses: um de nós seria o assassino; os dois morreriam, deixando a história sem nenhum sobrevivente; ou "foi tudo apenas um grande pesadelo". O fato é que ensaiei, ensaiei e nada saiu do pensamento.
Saí de casa para ter uma noite tranquila, como quase sempre acontece aqui. Havia dito na biblioteca hoje que as sextas-feiras 13 pra mim sempre foram marcantes, que sempre algo muito inesperado acontecia e que mudava tudo. Mas essa ia ser diferente, nada poderia acontecer.
Numa mesa de bar entre amigos, papo vai, papo vem, cerveja, cigarro, um ou outro momento de silêncio. Tudo corria dentro do esperado. Tínhamos recebido um convite pra sentar em outra mesa, com mais pessoas, mas eu não aceitei. De repente, um novo assunto: "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas, numa versão de Zélia Duncan. Artistas que regravam grandes obras de grandes cantores. Artistas medíocres que regravam grandes obras de grandes cantores. E por aí vai... Penso que é sempre válido manter a obra de um artista viva através de regravações, pois um público de uma nova época poderá conhecer e desfrutar dessa obra. Melhor ainda, esse novo público poderá se aprofundar na música, na poesia do artista, em tudo que ele produziu, se houver o interesse. Penso também que "Metamorfose Ambulante" pode ter variadas interpretações. Raul Seixas e Zélia Duncan, cada um teve a sua maneira de interpretar, de sentir, de transmitir a mensagem, da mesma música, mas isso não os faz melhor ou pior. O fato é que a discussão aconteceu. Todos dizendo o mesmo, todos com a mesma opinião, mas com ouvidos diferentes, exemplos equivocados e tons de voz alterados. Eu não sou uma pessoa muito fácil de lidar às vezes. Tenho problemas ao ser contrariado, subestimado, e isso sempre toma proporções gigantescas.
Paga-se a conta e o clima parece estar cada vez carregado. Já em outro local, acontece uma tentativa de se amenizar a situação. que acaba ficando muito pior.
Discutimos e brigamos várias vezes nesses quase 2 anos de amizade, mas tudo foi resolvido logo em seguida, com uma conversa amena, cordial e sempre com alguém dando o braço a torcer. A gente se entende, fala a mesma língua quando quer, e acaba botando tudo no lugar. Dessa vez, foi diferente. No meio de uma forte discussão em que a voz e os gestos aumentavam gradualmente, eu ouvi 2 frases, rápidas, curtas, que me calaram. O silêncio tomou conta de mim. Os ouvidos ensurdeceram. A Terra não girou mais. Dessa vez, não passou um filme na minha cabeça, como sempre acontece quando fico chocado. Foi diferente. Dessa vez, foi bomba atômica, silenciosa e devastadora. Foi cogumelo no vento, perda de equilíbrio, foi engolir seco, foi lâmina afiada rasgando o pescoço. Não tive reação e foram 10 segundos terríveis, intermináveis. Em certos casos, algumas palavras podem fazer muito mais efeito que um soco no olho, no estômago. Não tinha mais nada para fazer ali. Já tinha ouvido tudo. Uma saída intempestiva, um apoio moral, alguns quarteirões depois, e lá estávamos nós novamente, tentando consertar as coisas. Consertamos. Apesar disso, o medo da perda, da vitória do cansaço, do efeito da pílula que dessa vez foi dada em dose cavalar, tudo isso ainda era evidente. Teremos alta só amanhã, quando acordarmos. A noite, quando nos vermos, será o mesmo que voltar pra casa.
Eu aprendi... Na verdade, algumas situações me ensinaram que devemos sempre respeitar o limite, nosso e dos outros. Nem tudo pode ser dito, nem tudo pode estar pronto pra sair de nossa boca, nem em casos extremos, de forte stress. Não respeitei esse limite algumas vezes, e nada teve volta, nada foi esquecido e nada recuperado. Isso é tudo aquilo que mais me arrependo nessa vida...
Tudo continuará a ser como antes. Nada mudou. Essa noite não é maior do que tudo que já se viveu, de tudo que está guardado. Amanhã é outro dia e tudo que aconteceu hoje, perderá bastante da importância. Nunca será esquecido, apenas virará lição.
Outra lição é que não se precisa de assassinos, fantasmas, facas, ganchos e máscaras para tornar uma sexta-feira 13 assustadora e sangrenta.

Pequenos riachos

Às vezes o caminhar é lento, mas o importante é não parar. Mesmo um pequeno progresso é um avanço na direção certa. E qualquer um é capaz de fazer um pequeno progresso.Se você não pode conquistar algo importante hoje, conquiste algo menor. Pequenos riachos se transformam em rios poderosos. Continue em frente. O que de manhã parecia fora do alcance, pode ficar mais próximo à tarde se você continuar em frente. O tempo que usar trabalhando com paixão e intensidade aproximará você do seu objetivo. É bem mais difícil começar de novo se você pára completamente. Então, continue em frente. Não desperdice a chance que você mesmo criou. Existe algo que pode ser feito agora mesmo, ainda hoje. Pode não ser muito mas fará com que você continue no jogo. Caminhe rápido enquanto puder. Caminhe lentamente quando for preciso. Mas, seja o que for, continue andando. E você conseguirá alcançar suas metas... Realizar seus planos, sonhos... Portanto, não desista, nunca!

(Mensagem recebida hoje por mim no orkut!)

Divagações

Domingo a noite...
A noite não foi nada boa. Por mais que tentássemos ficar bem, tomando aquele vinho de sempre ao som das mesmas músicas, por mais que ríssemos de algumas histórias engraçadas que surgiram no meio da conversa, o clima não estava bom. Não conseguíamos ficar bem, depois do acidente que havia ocorrido de manhã. Faltava um na mesa. Não me arrependo de ter desistido do show em Pirassununga. A Aline, minha prima, me convidou. No início, eu me animei, mas a noite me mostrou depois que tinha mesmo que ficar aqui, ao lado dos meus amigos. Além disso, eu também tentava me recuperar da esquisita noite de sábado.

Sábado a tarde...
Dia de pular cedo da cama, de ser expulso do meu quarto, pelo menos até depois do almoço. Conversas no msn tentavam desvendar o que seria da principal noite do final de semana. Não queria ir no baile, pra ser bem sincero. Já previa que seria ruim, já previa tudo que iria acontecer. As lembranças do mesmo baile do ano passado vieram com força. Nem a tentativa forçada de dormir pra parar de pensar, deu jeito. No Se7en do ano passado, eu fui acompanhado da pessoa mais especial pra mim naquela época, que era quem me achava mais especial também. Há um ano, a noite tinha sido mágica. Mas o baile desse ano se mostrava uma possível grande catástrofe. Mas eu não queria acabar com o barato de ninguém, afinal, qualquer tipo de sofrimento, desilusão e/ou desesperança, é único, é só seu. Ninguém tem que se compadecer por isso. Então, para não parir no mundo mais um sofredor, decidi ir, afinal, a noite só não prometia para mim...

Sexta a noite...
O espetáculo foi ótimo, para um público pequeno, porém encantado. Tudo saiu dentro do esperado, apesar de alguns erros imperceptíveis que logo tiveram conserto. O espaço é maravilhoso. Me senti muito mais seguro dessa vez, sem aquela trepidação dos tablados da SAT, que me travava de alguma forma. Chegamos em Tambaú por volta de meia-noite. O cansaço nos dominava e o frio também! Mas valeu a pena! É sempre especial estar em cena, ainda mais com essa peça, "Sexo dos Anjos", que possui uma história maravilhosa que me transporta do céu ao inferno, do choro ao riso, em segundos, durante 1 h.

Sábado a noite...
Eu sempre tento honrar meus compromissos morais com todas as pessoas, cada uma com aquele tanto que merece, e que devolve. Meus amigos merecem meu carinho, meu respeito, minha preocupação, minha atenção. Ninguém aparece na vida da gente por acaso. Tudo faz sentido, uma hora ou outra. Às vezes, as pessoas se perguntam, eu mesmo já me perguntei, por que eu não conheci fulano antes... por que você apareceu na minha vida só agora... Ora bolas, simplesmente porque não era hora. Tudo tem a hora certa pra acontecer e os caminhos se cruzam (e se descruzam) o tempo todo, nessa louca roda da vida, nesse teatro de doidos, e tudo vai se transformando. De qualquer forma, é difícil aceitar que hoje, depois de ter feito tanto, depois de tanta amizade, de tanta preocupação, de tanta noite, hoje perdida, ouvindo lamúrias e lamentações, em que eu dava conselhos de coração aberto, eu seja visto de maneira inferior, simplesmente porque não ajo exatamente da forma que a maior instituição do mundo quer que eu aja. Eu não sou santo mesmo, estou bem longe disso. Não sou um poço de bondade, tenho minhas fortes convicções, que são mais defesas do que convicções. Não vou a missa, não comungo, rezo todo dia antes de dormir, mas com fervor, só quando o calo aperta. Tenho minha fé, meus santinhos no quarto, e busco meu lugar no céu, por quê não? Mas tenho minhas opiniões sobre a instituição igreja católica, duras opiniões, que fazem com que tenha a minha fé, o meu contato com Deus, sem precisar ir a lugar algum, sem precisar me dispor a olhares indiscretos, a hipocrisias levianas, a assistir competições doces de seres de egos inflados... Isso não me faz melhor ou pior do que ninguém. Não estou nem mais perto, nem mais longe da luz, nem tão pra baixo, nem tão pra cima. Deus está presente em minha vida, eu sinto isso, é pessoal, intransferível, e isso não está sob julgamento de ninguém. Não pensem nada sobre isso, não me julguem, não por isso. É só meu. A fé de cada um é particular, e ela não tem nada a ver com caráter.
Fora mais uma demonstração da abitolação religiosa vigente, a noite de sábado foi como tinha que ter sido, como a tarde previa. Foi filme repetido. Cada coisa no seu lugar, e o que estava fora, continuou fora do lugar. Uma, duas, quatro, sete cervejas tentando ser adereços de piratas, mas o outro ficou aberto... Batidas na parede, tateando no escuro procurando a cama, barulho, e o sossego do sono curativo. Vem, amnésia!

Sexta a tarde...
Mexer na iluminação do teatro me causa calafrios. É muito fio, muita tomada, incerteza de voltagens. Tentei descontrair com uma piadinha, uma dancinha dos Rolling Stones. Queria dormir. Todo mundo tirou um cochilo. Mas eu não consegui. Fico agitado demais, ansioso demais pra dormir. Tudo pronto. Sol fraco lá fora. O sol morrendo atrás das casas das cidadezinhas do interior me deixa melancólico, e ao mesmo tempo, penso no quanto que a vida é bonita, sim, bonita mesmo. A Lis apareceu e fomos tirar fotos. Muitas fotos! Sujamos a calça na pista de skate. Escorregão-master da Lis, e depois um mergulhão meu em solidariedade. Resultado: as fotos mais bonitas da tarde! Comer pastel na cidade era a pedida antes de começarmos a nos arrumar. Estávamos eu, a Lis, o Paulo, o Che e a Carolzinha, que foi a maquiadora da noite.

Domingo de manhã...
Dia dos Pais. Almoço em casa com a família reunida. Levantei da cama e vi o mundo girar. Ressaca? A sinusite estava pior. A noite anterior foi fria demais, e meu nariz doeu a noite toda. Tomei muita água, meu corpo pediu alguns ml's. Entrega de presentes para meu pai, meu pequeno grande super-herói, meu maior ídolo. Ele adora ganhar presente, fica radiante. Ele fez churrasco de novo, e o churrasco que meu pai faz é o melhor do mundo... A Aline apareceu me contando as novidades do final de semana. A expectativa do aniversário dela na semana que vem já começou a tomar conta. Família é tudo igual, e tem dia que adoro passar o dia com eles.
Pouco antes, o Che me ligou para dar uma das notícias mais desagradáveis dos últimos tempos. Nosso amigo César havia sofrido um acidente no trabalho e estava ferido, com queimaduras. Conheci o César através do Che já há algum tempo. Ele faz parte da nossa turma e todo final de semana nós nos vemos. Ele também é nosso companheiro de vinho, de rock, e de balada também. É uma pessoa incrível, com um coração do tamanho do mundo. Um grande cara, um grande amigo.
Hoje, segunda-feira, foi dia de visitá-lo, na casa dele. Fomos a Lis, o Che, o Maicon e eu. Ele está bem, todo enfaixado, ainda sente dor. Não foi nada agradável vê-lo daquela forma, ainda mais o César que nunca vi fazer mal a ninguém. A gente vai vivendo e ganhando lições. A lição de hoje foi o César que deu. Apesar de tudo, está lidando com a situação de bom humor, tentando ver o lado positivo da história, sem se deixar abater, e prometendo voltar logo. Agora é torcer pela recuperação dele e para que, em breve, num sábado despretensioso aí, ele apareça de novo.

Pedras no caminho

A previsão do tempo para amanhã anuncia chuva no interior de São Paulo. O céu está fechado agora e um vento cortante já apareceu. Vento anunciando chuva é diferente de vento de noite fria, pelo cheiro, pelo jeito que toca na pele. Minha mãe me contou uma história sobre a chuva, que eu nunca esqueci. Uma vez, caiu uma muito forte aqui em Tambaú, quando ela era bem criança e morava com meus avós numa casinha bem simples perto de onde hoje é o Posto Canecão. O temporal fez inundar várias casas, inclusive a da minha avó. O Rio Arrependido, que corta a cidade, havia transbordado. Quando a tormenta passou, o Padre Donizetti disse que, enquanto houvesse fiéis em Tambaú que crêessem nos milagres de Nossa Senhora Aparecida, nunca mais cairia aqui uma chuva como aquela. E desde então, nunca mais se viu aqui um temporal como aquele. Eu sempre me apoei muito nisso, e nunca temi a chuva aqui na cidade. Todo mundo que mora aqui pode confirmar que, muitas vezes, o tempo fecha e o céu escurece de uma maneira assustadora por aqui. A chuva vem, faz estragos pelas cidades da região, e aqui em Tambaú, ela vem mansa. Quando morava em São Paulo, eu tinha medo. Morava no 14º andar do prédio, e mesmo com todos dizendo que era até mais seguro, eu sempre me senti mais perto dos raios. Lembro de uma chuva que caiu às 3 da tarde de um dia da semana, que fez as luzes de todos os postes e os faróis dos carros se acenderem. O dia virou noite, e como diria minha mãe, era chuva que Deus mandava. Chuva em São Paulo sempre foi sinônimo de caos pra mim. Até ir no supermercado era sofrível. Os paulistas não sabem andar na calçada com guarda-chuva na mão. Era rezar pra não sair com o olho machucado. No interior, chuva sempre foi tranquilidade, calmaria, cheiro de terra molhada e uma certa melancolia doce no ar.

Tranquilidade marcou esse meu final de semana. Algumas pedras no caminho me fizeram ficar em casa, de resguardo. Uma pequena alteração na cor da urina não podia ter comprometido tanto meus dias em que busco histórias pra contar por aqui, não é? No princípio, era o suco de uva que tomei no almoço de segunda-feira passada. Depois, era a Malzibier que eu tomei na terça a noite, quando saí com a Aline, minha prima, e os amigos dela, para jogar conversa fora. Por fim, era coca-cola que tomei sei lá quando. Mas coca-cola não podia ser! Nunca me fez ficar com a urina escura! Então, era hora de ir ao médico. Este, me pediu um raio-x do abdômen e o exame de urina. Fiz um ultra-som no mesmo dia, na sexta-feira passada, e como disse a Lislaine, vi os meus bebês. Sim, três! Dois no rim esquerdo, e um no rim direito, bem pequenos. Mas não fui eu que escolhi o nome e sobrenome "cálculo renal"... Triste! Tarefa: beber muito líquido e esperar a cólica aparecer e enfim os bebês, quer dizer, as pedras saírem. O gozado é que não estava sentindo dor nenhuma até então, mas depois dos apertões do médico nos meus rins, a dor resolveu aparecer. Ela vem e vai embora, bem rápido, e sem incomodar tanto.
Outra coisa fantástica que tem acontecido são as sugestões que as pessoas me dão para expelir as tais pedrinhas. Chá de boldo, chá de milho verde, chá de simancol, de sumiço, chá de cadeira... Ah, esse eu tomei, nos dois consultórios que fui na sexta-feira. Mas até agora nada.

Tentando assim mesmo passar um fim de semana divertido, sexta a noite foi dia de rodízio de pizza, com a Lis, a Camila, o Rosalvo e o Don Che. Meu Deus! Nunca mais me deixem sentar perto do balcão, na direção do forno. Que calor terrível! Estou usando novamente lentes de contato, pois cansei do look "Bela, a feia", ou "Pedro, o Escamoso", como queiram. O problema é que minhas lentes são suicidas, elas pulam dos olhos nos lugares mais inadequados. Uma delas pulou quase no meio do prato, na pizzaria... Detalhe! Depois disso, bar do Euclides. Eu sei que é Deoclides, ok? Mas prefiro Euclides mesmo. Me lembra o carinha de pijama e pantufa do Rá-tim-bum, que tinha pesadelos na janela do quarto. Ah, até a Síiiilvia, a cobra, apareceu por lá, mas isso deixa pra lá... Última parada: cachaçaria! Uma cachaçaria vazia, mas animada. Fui com a Aline e os amigos dela. Logo falo deles direito por aqui. A banda tocava rock, e a cerveja ajudou a dar boas risadas. Cerveja pode no meu atual estado, é bem diurética... Aham, senta lá Cláudia! Bom, a Aline e a Gabriela bem que tentaram, mas a guria da banda não sabia cantar "Need You Now" da Lady Antebellum, nem "Satisfaction" dos Stones. A Aline jura até hoje que eu coloquei Pitones no bilhetinho, em vez de Stones, que por isso que não tocaram. Fica a dúvida hehe!

Sábado foi dia de churrasco com a galera na casa da Aline! Divertidíssimo! Cerveja, coraçãozinho de frango, costela recheada, ahh que delícia. Adeus regime, adeus rim também. A noite, não me senti nada disposto. Resultado: repouso!

Domingo foi um dia totalmente televisivo. E como todos conhecem a programação dominical, não comentarei aqui sobre nada que tenha visto. Este não é um post deprimente. Exatamente por isso também que não vou comentar sobre o remedinho que eu tomei a noite para fazer o exame de raio-x hoje de manhã, que me impediu de sair de casa ontem a noite, por pura precaução.

Segunda é segunda, poxa! É sempre igual, pra todo mundo. A gente reza pra ela não chegar logo, e reza pra ela passar rápido. E ela já está acabando. Será que até o próximo post, minhas pedrinhas ainda estarão aqui, incomodando e me fazendo sangrar? Pode ser que sim! Tem gente que carrega pedras por dentro durante uma vida toda, e elas acabam virando parte de si mesmos, pedras de estimação. Pedras e relevos que a gente insiste em cultivar dentro de nós, e que só nos corta, nos machuca. Bom, uma hora elas saem, sem antes fazerem doer, a pior dor, comparada a dor de um parto.

"Sexo dos Anjos" em Santa Cruz das Palmeiras

A peça "Sexo dos Anjos" estreou com sucesso de crítica e público em Tambaú, na abertura da 47ª Semana Universitária Tambauense e será encenada na próxima sexta, dia 06 de Agosto, às 21 horas, no Teatro de Tábuas "Luis Affonso Mendes".

O Grupo Curtura de Teatro esteve por duas vezes em Palmeiras, com os espetáculos "Édipo" e "A Gaiola das Loucas", com público de aproximadamente 400 pessoas em cada uma delas. Na ocasião as peças foram encenadas no Esporte Clube Palmeirense.

No ano passado, a Associação Cultural Quintal das Artes apresentou, já no Teatro de Tábuas, o sucesso "Confissões de Adolescente".

Agora é a vez de "Sexo dos Anjos". O intrigante texto de Flávio de Souza (dramaturgo e roteirista de programas como "Castelo Rá-Tim-Bum" e "Sai de Baixo") surpreende a platéia a todo o momento.

As interpretações marcantes de José Ono Júnior e Bruno Dutra dão vida à personagens complexos e ao mesmo tempo, fascinantes.

O jogo de palavras leva o público a sensações diversas e a dividir com os atores as dúvidas que cercam as duas personagens, chegando a conclusões surpreendentes sobre a vida.

Os figurinos de José Eli Costa, que também criou a maquiagem ao lado de Júlio Someira e a música de Antonio Neto, contribuem para dar vida à diversas nuances do espetáculo.

Uma das cenas mais elogiadas na estréia foi a sequencia onde os personagens interpretam um trecho de "Hamlet", presos a fios como se fossem marionetes gigantes.

Dirigido por Paulo Rogério Rocco, o espetáculo segue agora para várias apresentações em outras cidades, em mostras e festivais de teatro.

Dia 6 de Agosto, "Sexo dos Anjos" chega à Santa Cruz das Palmeiras.

(Texto publicado em 30 de julho de 2010 no Jornal Folha de Tambaú.)

Beijos e rock, sem muita poesia

Sabe aquela semana que parece que nunca vai ter fim? Ora pesadelo, ora sonho... Pois é, os últimos dias foram assim: tensos, sofríveis, românticos, neuróticos, surpreendentes. Eu sou ariano, odeio monotonia, gosto de ser ágil e gosto que a vida seja ágil também. Tudo vem e te atropela, te leva, te afoga, te afunda, te come e te cospe. Inconstância sem fim!

Sexta-feira, 16 de julho de 2010 - O lago pra Ofélia se afogar
A noite anterior tinha sido um pouco estranha. Fizemos um ensaio da peça ao som de trovoadas, uma chuva terrível daquelas que anunciam o fim do mundo. O Che e eu maquiados, com o rostos pálidos, expectativa a mil. Gravação do dvd da peça rolando, pique de luz. Corrrta! No ensaio ainda dava pra fazer isso... Retoma! O ensaio da quarta-feira foi melhor. Talvez o de quinta-feira tenha sido do que jeito que foi, pra espantar as coisas ruins, os desastres, da natureza e da máquina chamada "teatro", que precisa de harmonia pra funcionar direito. Sexta-feira de manhã, eu tentava me manter calmo. Na biblioteca, montagem de estantes, e pra relaxar, cantoria sussurrada, uma forma de dizermos "não, estamos muito tranquilos... tudo dará certo..." A tarde, o nervosismo não pôde mais ser disfarçado. Frio na barriga, choro sem porquê, inspiração pra escrever. Fazer teatro dói às vezes, sufoca, martiriza. Não fiquei deprimido, era expectativa, ansiedade de fazer subir o coração até a boca. O banho foi a última tentativa para relaxar. Mais choro calado, e finalmente, a paz voltou a reinar. Na SAT, ticket para a passagem final na mão, foi o presente de saudação do Paulo. Quem viu a peça, sabe do que estou falando. A Joice estava por lá. Tinha prometido ir assistir e cumpriu. Éder e Lislaine também já tinham chegado. Maquiagem, hora passou rápido. Cigarro. O Che e eu numa infinita pergunta: "e aí, tá nervoso, cara?" Na verdade, queríamos perguntar: "e aí cara, tá mais nervoso do que eu?" Público começa a chegar. Cigarro. Tínhamos combinado de tomar vinho antes da estreia, mas fiquei com medo de errar os degraus da escada. Não podia correr esse risco, não nesse dia. Cigarro, oração, abraço no meu grande amigo, um grande cara, um grande ator nascendo ali. Começou. Meu Deus, que emoção, que coisa boa! Um dos melhores momentos para o ator, pisar no palco no primeiro segundo de espetáculo, ouvir a respiração do público, buscar confiança nele, sentir o cheiro da arte. Foi uma noite perfeita! Risos na hora certa, silêncio arrepiante, depois suspiro de alívio, cabeças pensantes tentando desvendar o mistério das duas personagens. O aplauso. Foi tudo ótimo, dentro daquilo que almejávamos. O Che, o Paulo e eu saímos da SAT felizes e orgulhosos. Meus pais e os pais do Che não se aguentavam, estavam grandes de tanto orgulho, olhos marejados e sorrisos francos. Nossa estreia tinha acabado de ocorrer, e vimos que nosso trabalho valeu muito a pena. Realização e vontade imensa de percorrer um bom caminho com o espetáculo! Depois da peça, bebidinhas no Sossego, uma lanchonete aqui em Tambaú. O cansaço não permitia que fizéssemos mais nada naquela noite.

Sábado, 17 de julho de 2010 - Consequências
Sabia que aquele stress, todo aquele frio na barriga, ia me fazer muito mal no dia seguinte. Estava exausto, contente com a peça, mas completamente sem energia. Manhã inútil. A tarde, Lislaine, Che e eu nos reunimos em casa para fazer algo que tínhamos planejado há algum tempo: compartilharmos nossas fotos de infância. Eles trouxeram os álbuns até em casa e passamos a tarde nos divertindo. Relembrar é algo bom, e nós três tivemos uma infância feliz. Nós três nos conhecemos há mais ou menos 2 anos atrás, e nesse sábado, eu olhava pra eles e pensava que teria sido muito bom ter passado minha infância ao lado deles. Mas a vida sabe o que faz, não é? Tivemos a sorte de nos encontrar agora, quando um precisava do outro por algum motivo, que um dia iremos saber, ou não, só sei que tinha que ser assim... A noite não foi muito boa. O cansaço ainda dava sinais muito evidentes, e a irritação também. Ouvir Legião, Raul, Beatles, Cazuza, todo sábado a noite com um copo de vinho na mão, em pé numa rodinha, falando bobagens, tem dia que cansa. Mudança de planos. Íamos pra SEUNIT e não fomos. "Sossego" novamente. Mas a noite já estava condenada. Nada me animou. Resolvi ir embora depois de um tempo, e isso acabou com a noite de todo mundo. Fomos todos embora. O Che, na hora de se despedir, perguntou se estava tudo certo e me abraçou. Disse que estava. Estava nada, tudo estava errado, péssimo, caótico e sufocante. Mas nada merecia ser dito.

Domingo, 18 de julho de 2010 - O que eu queria e/ou não queria ouvir...
Almoço na casa da minha tia. Programinha normal de domingo! A minha perturbação parecia aumentar. Questionei tanta coisa esse dia, perdi a oportunidade de ficar calado numa conversa manjada, onde você fala, fala, querendo que a pessoa diga exatamente aquilo que você quer ouvir, e ela diz. No momento, satisfaz você, depois, é ruína. Domingo a noite, insisti em sair. Queria ter uma outra conversa, definitiva e aniquiladora, ia rasgar o peito. Não era certo o que estava fazendo comigo, era judiação demais, ilusão demais. Mas não rolou. Não tive oportunidade. Ficou só no vinho, no papo aqui, papo ali. Fomos dessa vez pra SEUNIT, a Semana Universitária Tambauense, um evento que acontece aqui na cidade há 47 anos, sempre reunindo numa mesma semana, cultura, música e artes, para um público predominantemente jovem. Vou falar bastante dela por aqui ainda nesse post. No domingo, na SEUNIT, que rolou na Lex Luthor, tocava a banda Black Case. Estávamos eu, Che, Cesinha e Elton por lá. Maikinho foi embora e não entrou. Fiz uma força imensa pra manter a alegria, pra segurar o vulcão prestes a entrar em erupção. Estava mal mesmo. O som da guitarra batia em mim e ficava ali, mantendo a nota. Numa ida ao bar, recebi um convite. Queriam que eu apresentasse um desfile de Modas na SEUNIT, na terça-feira. Tinham me visto na apresentação do Festival de Modas, e gostaram. Topei. Sim, inacreditavelmente, eu topei, naquela hora, naquela noite terrível. O domingo acabou e eu tentava acreditar que meu mal era sono.

Segunda-feira, 19 de julho de 2010 - Dia de quase-fúria
Não comento muita coisa sobre esse dia, um dos piores dos últimos tempos. Não podia nem com a minha própria voz, não estava ME aguentando. Carreguei o mundo nas costas o dia todo, num peso avassalador. Fui chato, fui grosso no telefone, fui indiferente, fui intocável. Péssimo! Não gosto nem de lembrar. A noite, teve ensaio do desfile na Lex Luthor. Fui até lá. O ensaio durou até a hora em que o Che e a Lis apareceram. Na SEUNIT, era dia de bandas de garagem fazerem um som por lá. Fiquei até certa hora, mas a sensatez me mandou ir embora. Tinha sido tudo tão #tenso, que achei melhor me preservar. Um choro sentido veio manso a noite, e um e-mail com um pedido de socorro foi enviado para alguém que, naquela hora, eu pensava ser a única capaz de me entender, de estar ao meu lado. Ledo engano! Sono e cama.

Terça-feira, 20 de julho de 2010 - Big surprise
Manhã chata de novo. Precisava conversar com alguém, fazer alguma coisa. Disse pro Che que precisava falar com ele a noite, na hora que ele pudesse. Me afastei muito dele e de todos nesses últimos dias e tinha que consertar as coisas, que talvez tivessem erradas. Pra mim tá tudo errado! Ele foi gentil, perguntou se estava tudo bem. Isso já me acalmou. Confio muito nele, e saber que ele está do meu lado, já me acalmou. Não posso reclamar dos meus amigos. A noite, fomos pra Lex Luthor. Eu cheguei mais cedo porque ia apresentar o desfile. Três lojas se juntaram para promover o desfile aqui na cidade, O Boticário, Shó Modas, e Espaço da Moda. Desfilaram crianças e adolescentes, com as peças e produtos das lojas. Enfim, fiquei o tempo todo no palco. Momentos inusitados com crianças na passarela, isso é básico. Algumas delas quase caíram de lá, tivemos, eu e a Carol, aluna nossa do teatro que estava vestida de "anjo" no desfile, que desviar algumas crianças do buraco hehe. #tenso. Mas correu tudo bem! Foi sucesso! Todo mundo curtiu, eu também. Ganhei um perfume do Boticário, amei isso! Baladinha logo depois com a Lis e o Che, que estavam por lá também. Meu humor já tinha melhorado bastante nessa hora. Dançamos, bebemos. Andando por lá, passei por alguém que já tinha visto na SEUNIT num desses dias, mas que não passava pela minha cabeça cumprimentar. Conhecia há bastante tempo, sempre mexeu comigo de alguma forma. Nos cumprimentamos. Depois, lá fora, conversei com o Che sobre a crise sem explicação que estava enfrentando. Ficou tudo certo. Hora de ir embora!

Quarta-feira, 21 de julho de 2010 - Nada feito
Manhã mais sossegada, despretenciosa. A tarde, uma conversa no msn me deixou bem #tenso. Encontrei aquela pessoa on line. Conversamos umas 2, 3 vezes, há algum tempo já, mas nada demais. Perguntei se ia na SEUNIT, disse que sim, e me candidatei prontamente a estar por lá. Depois, recebi um novo convite para bancar o apresentador hehe. Dessa vez, fui apresentar um palestrante, que veio a Tambaú fazer um seminário sobre "Direitos do Consumidor". Foi coisa rápida! Marquei com o Che para depois, na Lex Luthor. Mas a balada demorou demais pra começar, e o frio era latente do lado de fora. Esperamos até certa hora e fomos embora. Não vi quem queria ver e o que restava era dormir.

Quinta-feira, 22 de julho de 2010 - Inesquecível
Dia normal na biblioteca. A arrumação por lá continua a toda prova. Cada dia o espaço fica melhor, e quem ganha com isso é o usuário. Em poucos dias, a energia elétrica foi instalada, os computadores com internet disponibilizados, as cortinas colocadas, os móveis renovados... Dá até orgulho de ver... O trabalho que a Quintal das Artes vem realizando por lá é muito louvável. É duro e cansativo às vezes, mas o esforço vale a pena. Bom, na SAT, a noite foi de "Cinema em Cena", com o filme "Minha Amada Imortal", que conta a história de Beethoven. O filme era muito bom, apesar de triste e melancólico, mas eu estava tão cansado que deitei no fundo pra assistir. A cabeça da Lislaine no meio da legenda me ajudou muito a dar umas cochiladas. Logo depois, fomos pra Lex Luthor. O Che, o Leandro e eu entramos. Quem tocou nesse dia foi a banda Nota Promissória, da cidade de São Carlos. Muito bom o show! São meninas adolescentes que compõem a banda, que toca de Raul Seixas a AC/DC. Encontramos a Aline, minha prima, com as amigas por lá. Logo que entrei, avistei quem eu queria. Não sabia de nada, se aquele papo do msn tinha sido apenas simpatia, brincadeira boba e despercebida. Até que, numa hora em que saía pra fumar, acabei encontrando a pessoa, sozinha. Foi mais fácil! Cumprimentei, conversamos um pouco, e ganhei ali a liberdade que precisava para dizer aquilo que sempre quis dizer. O desenrolar disso tudo não precisa ser postado aqui, até porque seria um pouco indelicado. O que devo dizer é que, tempo depois, um pouco longe dali, o beijo aconteceu. Foi lindo, mágico, aquele beijo que seu coração reage tentando te dizer que a partir dali, você nunca mais será o mesmo. Eu quis esse beijo há 6,7 anos atrás, mas nunca fui além de algumas insinuações. Depois, a vida seguiu seu rumo. Eu namorei durante bastante tempo, perdemos o contato, nunca mais ouvi sequer falar. Muito recentemente, reencontrei na rua, passando... Falamos um "oi" discreto, sem graça, mas nunca me passou pela cabeça de que algum dia esse encontro iria acontecer. Foram momentos maravilhosos. Me senti tão bem, como há bastante tempo alguém não fazia com que sentisse... A rua silenciosa, e escura, ganhava luz e música. Se vai acontecer novamente ou não, eu não sei, quem sabe, quem entende a vida? O fato é que pode passar por mim 50, 100 anos, essa noite será sempre inesquecível. Eu sou um exagerado ariano, apaixonado pelo amor, se não me arrepiar, não vibrar com isso, não sou eu.

Sexta-feira, 23 de julho de 2010 - Mais uma de amor
Passei o dia todo na base do suspiro. A noite anterior ainda era inacreditável, minha ficha demorou a cair. Trabalho na biblioteca o dia todo, a noite teve peça na SAT. Um grupo de teatro de Mococa apresentou, também na SEUNIT, a peça "A Morte Bêbada da Morte", uma comédia gostosa de se ver. A galera do teatro estava lá, o Che também. Fomos até o Bar do Mancha, onde tomamos um vinho. Rodolfo, Lislaine, Éder e Leandro apareceram por lá também. Batemos um gostoso papo sobre teatro, sobre música. Foi legal! Depois, Che, Éder, Leandro e eu, descemos para a Lex Luthor. Só Che e eu entramos, com o Neno que apareceu depois, mas que ficou pouco com a gente. Quem eu queria ver por lá, nessa noite eu não vi. A distância está virando um obstáculo fundamental na minha vida amorosa hehe. Aquele alguém já tinha ido embora, não estava mais em Tambaú. A noite parecia que ia acabar daquele jeito, desanimada, sem graça. Uma conversa sincera com o Che lá fora, em meio a 2 ou 3 cigarros, uma conversa sobre como a vida é e quem somos ou não dentro dela, se está valendo muito a pena sermos quem somos, seres "alienígenas" no meio da multidão, com pensamentos e idéias tão diferentes. Estava querendo ir embora, mas fomos dar uma última olhada lá dentro. De repente, surge ela. É, a noite dessa vez foi produtiva pra outra pessoa, numa história bem parecida com a minha, da noite anterior: uma relação perdida aí no meio da vida que já não tinha mais chance de começar, de acontecer, mas que aconteceu, numa noite aí que não prometia ser diferente das demais. Fui embora, feliz, meio chocado com as coincidências, com a forma que a vida acontece, tudo se encaixando, acontecendo na hora certa, fazendo sentido. Às vezes, vem como um terrível tapa na cara, outras vezes como tapa de luva de pelica, e vai ensinando, construindo e desconstruindo relações, paixões e sonhos. Eu não duvido de nada, espero tudo da vida, e ela vai me surpreendendo...

Sábado, 24 e domingo, 25 de julho de 2010 - Só amigos
Meus pais foram viajar, fiquei em casa sozinho o final de semana todo. Foi um tempo bom pra dormir a tarde com absoluto silêncio, e pra organizar tudo, meu quarto, meus pensamentos, minhas músicas no pc. A noite foi ótima, com meus queridos amigos. Lislaine, Cesinha, Maikinho, Bruninha, Leandro, Éder, Che e eu na Lex Luthor. Bebida, som da hora, muito rock, só liberação na dança de tudo que rolou nos últimos dias. No final da noite, um abraço selou o último detalhe dessas histórias todas que faltava. O "tapa na cara" que levei, por mais que tenha sido duro reconhecer, me colocou no chão, me fez ver exatamente como as coisas são, e que eu não devo lutar contra elas. Não posso culpar ninguém por não ser como eu, por não ser como eu gostaria, nem por não oferecer a mim aquilo que eu sempre desejei, se por acaso já me oferece tudo aquilo que pode. Ainda estou digerindo isso tudo, engolindo aos poucos. É provável que nunca mais veja as coisas do jeito que eram, nem me comportarei como alguém que podia oferecer numa bandeja a própria felicidade, tudo agora está no seu lugar. Nem muito nem pouco, dou o que recebo. Meu coração está aliviado, e na torcida pela continuação de todas essas histórias...
Domingo foi dia de almoço aqui em casa. Preparei um delicioso macarrão e assei uma pizza. Lis e Che vieram almoçar comigo, já que ia comer sozinho. Conversamos bastante, rimos, bons amigos reunidos. Depois, foi nosso encerramento na agitada SEUNIT 2010, no Campeonato de Som Automotivo. Muito barulho, muito sol, muita gente. Mas foi bom. Uma saidinha mais a noite, para tomar um vinho, parecendo fechamento de episódio de série americana. A lua dessa noite era a mais linda que eu já vi, inspiradora, enorme, nascendo atrás da minha casa... O fade out aconteceu. Os créditos apareceram. Era hora de dormir para, no dia seguinte, enfrentar um novo início de semana.

Ciego, sordomudo

"Se pudiera exorcizarme de tu voz, se pudiera escaparme de tu nombre, se pudiera arrancarme el corazón, y esconderme para no sentirme nuevamente."

(Shakira Mebarak)

O Teatro me salva

"O teatro me salva, me exorciza, me cospe a alma, me vomita o ser. É riso sincero, é a dor mais sentida. É lágrima de desespero, é medo e coragem de mãos dadas. É rock, é mpb, é pop. É a guitarra ardida dos Beatles, a malandragem doce de Vinicius, é o sexo da Lady GaGa. O teatro me faz ser super-herói, me dá asas, me transporta. Teatro me incomoda, me inspira, me critica, me pega forte no pêlo inflamado, me cutuca com a pinça, me estapeia. É ver a cara da morte, é morrer sincero, é ver a Lua. É viver, é ter prazer, é gozar, queimar, queimar no sol. É amar quem eu acabei de conhecer, paixão a primeira vista, é me apropriar de vida alheia, a da personagem. Essa me consome, me perturba, entra nos meus sonhos, tem implacável exigência, me observa no âmago e me pune, se não a visto por inteira. O teatro sou eu, eu ator, em busca de quem sou, perdido no mais vasto conhecimento e ignorância da vida, maquiado para esconder minhas imperfeições, com luz forte derretendo a testa, para me fazer brilhar e ganhar o mundo."

(José Ono Junior, ator)

Chegou o dia! A estreia de "Sexo dos Anjos" é hoje. Dia de estreia de espetáculo nunca é um dia comum, e nunca é igual de uma peça pra outra. Hoje tem um bichinho me comendo dentro da barriga, e meu rosto tem uma terrível tensão que aperta os olhos, e não é enxaqueca. Deuses me observam pelas costas, andam pelo meu quarto, e me cobram um bom trabalho. Mas as intenções deles são boas, só cobram aquilo que é certo. Teatro é pra quem tem coragem, não tem correção, é tudo ao vivo, cada segundo vai passando e ficando pra trás. "Sexo dos Anjos" vem com uma proposta inovadora para o teatro tambauense. Uma hora de espetáculo, com dois atores em cena, o Bruno (o conhecido "Che") e eu, e tudo é muito imprevisível para a platéia. O palco está montado em forma de arena. O público não perde uma gota de suor que cai. E dá-lhe texto, e dá-lhe ação, emoção, contradição. Aliás, o texto é um grande presente que ganhamos do autor Flávio de Souza, e na história dessa nossa montagem, existem tristes e felizes coincidências. A tristeza fica por conta do nosso homenageado Ariovaldo dos Santos, que foi quem apresentou o texto para o Paulo Rogério, nosso diretor, e quem o colocou em contato com o autor, para que pudéssemos obter a autorização para a montagem. Ariovaldo faleceu em abril desse ano e estará olhando por nós essa noite. A felicidade vem do fato de eu estar em cena com o Che, meu grande amigo. Hoje, penso que ninguém mais poderia fazer essa peça além de nós por aqui. O Paulo sempre diz que, quando é pra uma peça acontecer, tudo se encaixa sozinho. E esse encaixe foi perfeito. Sem mais, vou curtir meu bichinho que me corrói por dentro. Uma boa peça para todos que forem embarcar nessa viagem com a gente hoje a noite, às 21 hs na SAT! E uma MERDA gigante para o Che (hoje a noite é nossa, fio!), e para o Paulo, que agradeço mais uma vez pela oportunidade de deixar vivo dentro de mim aquilo me mantém de pé, firme: minha arte.

Não amo ninguém

Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir
Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dólares
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida
Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada
Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro.

(Cazuza)

#diadorock

Lis Joplin

Zézuza

AC Bruno DC


Os Biitous

#diadorock

I Love Rock N' Roll
Joan Jett

I saw him dancing there by the record machine
I knew he must have been about 17
The beat was going strong, playing my favorite song
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me

CHORUS
Singin' I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me

*OWWW*

He smiled so I got up and asked for his name
but that don't matter he said cuz it's all the same
I said can I take ya home, where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
And next we're moving on and he was with me
Yeah me

CHORUS

I said can I take ya home where we can be alone
Next we're moving on and he was with me
Yeah me
and we'll be moving on and singing that same old song
Yeah with me


Eu vi ele dançando ali perto da máquina de música
Eu sabia que ele deveria ter uns dezessete
A batida estava ficando mais forte
Tocando minha música favorita
E eu poderia dizer que não iria durar
enquanto ele estivesse comigo, yeah comigo, cantando

Eu amo rock and roll
Então bote outra moeda na máquina de música, bebê
Eu amo rock and roll
Então venha e passe seu tempo dançando comigo

Ele sorriu, então eu me liguei e perguntei o seu nome
Isso não importa, ele disse,
porque é tudo a mesma coisa

Eu disse, posso te levar para casa onde poderemos estar sozinhos
Em seguida fomos mudando
Ele estava comigo, yeah comigo
Em seguida fomos mudando
Ele estava comigo, yeah comigo, cantando

Eu disse, posso te levar pra casa onde poderemos estar sozinhos?
E depois estavamos nos movendo e ele estava comigo
Yeah, comigo
E depois estavamos nos movendo cantando a mesma velha música
Yeah, comigo.

Criado como um embrião do Live Aid, festival de 1985 que promoveu shows simultâneos em Londres e Filadélfia em prol do fim da fome na Etiópia, o Dia Mundial do Rock é celebrado anualmente, sempre na data de aniversário do super evento organizado por Bob Geldof – 13 de julho.

Em duas décadas e meia acompanhamos, no Brasil e no mundo, uma infinidade de bandas surgindo e se despedindo, o que só prova que em matéria de reinvenção e evolução ninguém bate o pessoal da guitarra e do baixo. Considerando os participantes do Live Aid, não temos mais, por exemplo, Queen, Mick Jagger em carreira solo ou Black Sabbath. Ou nem ouvimos mais falar do Status Quo ou de Joan Baez. Ainda ouvimos, em compensação, músicas inéditas de U2 e Paul McCartney, sempre lançado discos – ops, MP3.

Nos aprofundando nesse período conturbado, com a explosão da Internet, queda do Muro de Berlim, impeachment de Fernando Collor, efeito estufa e gravadoras enxugando catálogos, conhecemos um rock mais eletrônico, o grunge de Kurt Cobain (será que o rock teria outro rumo se ele não tivesse se suicidado em 1994?), o britpop do Oasis, o nu metal de Linkin Park, o rock em seu estado mais fabuloso com o The Strokes e uma geração muito promissora, de Arctic Monkeys e The Killers.

Pesadelos

A chuva que o céu prometeu hoje a tarde, não veio. Foi só barulho e escuridão, e poucos pingos insignificantes. Hoje acordei tenso. É natural eu ter pesadelos com o teatro na véspera da estreia, desde pequeno. Mais recentemente, foi assim com "Confissões de Adolescente" e com "Tribobó". Com "O Príncipe da Quermesse", foi em dose dupla. Num deles, eu brigava com a platéia e eles corriam atrás de mim na rua pra me bater. Dessa vez, o pesadelo veio 5 dias antes da estreia. Como sempre, dava tudo errado, o figurino, isso é "batata", sumiu na coxia. Entrei rápido pra me trocar e cadê minha camisa branca? Mas é natural... Ensaiamos bastante na última semana, e ontem foi dia de ver o palco montado, as luzes já no chão da SAT, preparadas pra serem instaladas. O frio na barriga surge, a expectativa é inevitável, mesmo que imperceptível, e o pesadelo vem adiantado. Num dos ensaios da semana passada, um imprevisto. Sim, amigos! Eu caí de poupança no chão, numa cena em que subo correndo as escadas do cenário. Fui subir e chutei a escada. Caí legal! Gargalhadas ecoaram, não? Sempre achei que isso poderia acontecer, pela movimentação frenética que eu e Che fazemos em cena, mas não tinha certeza se iria ser eu o premiado, pois foi. No mesmo ensaio, ganhamos uma nova trilha sonora, na última cena, a mais emocionante, a que exige mais concentração. Estávamos lá, concentrados, dando o texto, e de repente surge um som estranho, de karaoke de botequim, achei na hora que era "Pensa em mim" do Leandro e Leonardo, a versão que a gente encontra em qualquer cd de karaokê. Era o som do dvd que era exibido num telão da SAT, numa palestra motivacional que estava para começar. Sim, foi-se a cena! Terminamos de maneira diferente, mas não cabe descrever aqui para não estragar a real surpresa do final da peça.

Disposição pra ir a pé pra biblioteca hoje. O solzinho da manhã, quando não se tem o clássico cansaço, é inspirador. Fui ouvindo "Low Rising", da banda The Swell Season, no mp3 do celular. A hora do meu dia que mais penso, é quando estou andando na rua, ouvindo música. Já passei até por antipático por não cumprimentar conhecidos. Mas não é por mal. A concentração é tanta que às vezes não consigo ver as pessoas. E se vejo, não consigo processar que as conheço. Consciente, encontrei a Josi pelo caminho. Descemos juntos. Manhã tranquila na biblioteca. Hoje começou a trabalhar lá a dona Fátima, mãe da Carolzinha, do grupo de teatro. Almoço modesto em casa depois, não porque minha mãe fraquejou na cozinha, mas sim porque comecei um regime. E não é porque hoje é segunda-feira, mas porque venho ensaiando isso há dias, e hoje decidi. Salada, um copo de arroz, um bife, e só caldo do feijão, sem repetições. Pra beber, suco de laranja. Eu sei que qualquer nutricionista recomenda que não é bom beber enquanto se come, mas eu não resisto. É difícil pra mim comer sem beber nada, é fato. Tarde cansativa na biblioteca! Quem foi que inventou de mudar os arquivos do lugar? Fui eu! Se foi, me amordacem, me imobilizem, estou ficando louco. Que troço pesado! Me besuntei em graxa das gavetas! Som de metal, escola de samba na avenida. Difícil, mas tá feito! Palmas a Lislaine, que resistiu bravamente e ficou comigo até o fim, bem mais animada e disposta do que eu. Não, eu não fiquei monossilábico dessa vez. Sempre fico monossilábico quando me canso demais. Dessa vez, eu fiquei inexpressivo! Voltei pra casa a passos de tartaruga bêbada. Banho, comida, cigarro, internet e blog!

Ai ai... comecei a falar da segunda-feira porque ela foi menos pior do que o final de semana. Pedi muito pra chegar logo hoje, pra voltar a trabalhar, e tudo voltar ao normal. Finalzinho de semana esquisito. Tem que comentar mesmo? Ok! Fui dramático agora... vamos lá...

Meus planos de dormir pelo menos um dia inteiro desses 3 de folga que tive, não se concretizou. Disse que ia fazer isso umas 10 vezes na quinta-feira. Mas nada feito! Não que tenham me impedido, o fato é que meu hiperativismo ariano não permite isso. Cabeça pensante, boca cantante, coração latente. Quinta-feira, papo agradável com a Lis e o Che no posto, planos de ir pra Palmeiras furados. Eu bebendo coca-cola, papo vai, papo vem. Risadas! Pula uma parte... Não devo dizer da parte desagradável dessa hora, do ser de língua grande que apareceu mostrando mais uma vez o quanto que é confiável... Pulei... Chega o Neno, nosso amigo cantor. Vamos à cachaçaria? Sim! Aline, minha prima, por lá com amigos, bem vestida, animada... Mais uma, duas, três mesas com algumas pessoas, o resto: grilos que cricrilavam... Lislaine na cachaçaria? Pois é... Vou arrastar minha guria preferida um dia pra dançar na Lex Luthor, e mostrar pra ela que pode continuar sendo quem é, mesmo que o mundo conspire pra que mude, para que se adapte, vai resistir e manter sua personalidade original e autêntica... Mas ela ficou na mesa da Aline essa noite, engatou um papo longo lá com o pessoal... Na mesa ao lado, Neno, Che e eu. Cerveja, cerveja, cigarros. Falamos de tudo. A cerveja não me deixa lembrar de tudo que conversamos. Ah, agora eu lembrei... Mas não convém dizer também, coisas bobas, escatológicas, que se conversa em bar quando a cerveja bate. O melhor de tudo é o quanto que as pessoas nessa situação se soltam de preconceitos, de vícios de personalidade, e conseguem ser quem são, dizer o que pensam de verdade, sem bloqueios. Essa energia que toma conta das pessoas em mesas de bar, de botequim, sempre rende momentos inesquecíveis. No final, sem poder faltar esse assunto que está sempre presente, o amor. Fala daqui, fala dali... Eu sou ótimo pra falar disso depois de algumas cervejas, sou o cúmulo da sinceridade e da solidão. O Che, como sempre, se abre, se mostra carente também, tanto quanto eu. E nós dois acabamos revoltados com o mundo, com a ordem das coisas, depois, fazemos votos um pro outro, de que tudo dê certo, que tudo se ajeite, "ah, você merece ser feliz e vai ser... eu também vou...". Esse roteiro eu já conheço, tanto que sabia que a conversa iria continuar depois na mesma noite no msn, e tudo que seria dito, e como me sentiria depois. Não conhecia o Neno, não daquele jeito. Deu o mais surpreendente relato da noite, depois de uma severa crítica minha, deu motivos muito contundentes pra ver as coisas da forma que vê. Rolou um clima tenso. Sim, eu sou uma torneirinha de verdades, principalmente quando bebo. Não acho isso ruim, mas às vezes as pessoas não entendem, levam como ofensa, como crítica negativa. e o clima pesa. Bom, tenho que deixar claro que também sei ouvir, qualquer coisa. Sei falar, mas aguento ouvir. Fim da noite, depois da tentativa frustrada de comer lanche.

Sexta-feira, feriado da Revolução Constitucionalista, acordo sozinho em casa. Um silêncio mortal e eu tive a coragem de acordar às 11 da manhã. Meu objetivo de ser o melhor amigo do edredon começava a ir por água abaixo. Ah, legal! Sem almoço em casa, sem panelinha preparada no fogão, ou seja, almoço na casa da minha tia. Minha mãe ficou por lá o dia todo, preparando quitutes pra festa julina que ia rolar a noite, meu pai e Giovana estavam envolvidos na decoração. Tarde sem muita emoção, sem dormir também. A noite, Lis, Che e Alan vieram até em casa, para irmos juntos a festa na casa da minha tia. Tínhamos que ir a caráter, mas não deu muito certo. Improvisamos um visual com minhas camisas listradas, como se pode ver na foto. Alan apareceu de cabelo novo, com luzes, todo espetado. Sim, estranhei no início, mas depois acostumei. O Che não perdoa mesmo, sabe como irritar o Alan melhor que ninguém nessas horas. Na festa, minha família, meus amigos, amigos da família... Quentão, chá, chocolate quente, salgadinhos, queijos, arroz doce, chocolate quente, uma farra! O Jader, namorado da minha prima, que toca profissionalmente numa banda, levou a sanfona para animar a noite. Dancei com a Lis, com a Aline. Tiramos fotos, rimos, combinamos nossa viagem pra Argentina. Che e eu combinamos viagens com nossos amigos desde que nos conhecemos. Já planejamos passar o reveillón no Rio, um final de semana em São Paulo, Natal em Nova York, no Egito, um domingo em Campos do Jordão, uma ida ao Japão também, mas nunca saiu do pensamento. O Alan e eu, como sempre, nos bicamos a noite inteira. Hoje eu nem ligo mais. Talvez isso aconteça pelo fato de sermos do mesmo signo, temos sonhos e metas parecidos, e reagimos igualmente às situações. Subimos para a praça meio deserta, quase não tinha ninguém. Alan se despediu. Lis, Che e eu fomos para o Mancha. Tomamos cerveja por lá, o Che e eu, a Lis não bebe. Leandro estava lá também, mas conversou pouco com a gente. Nós três estamos bem próximos ultimamente. Passamos o dia todo na biblioteca, nos encontramos e saímos juntos também, compartilhamos de alguns pensamentos. Depois de um abraço a três na porta do Mancha, puxado pelo Che, a conversa começou. Falamos de muita coisa. Coube a mim cantar um pedaço da letra de "Quase um segundo", do Cazuza. Não lembro porquê, mas foi conveniente, talvez prefira não lembrar, sei lá. Caminhamos até a casa da Lis. No caminho, paramos para ver a iluminação da biblioteca, e para discutir teses de como a luz atravessando os vidros das janelas deixa o ambiente com um toque sombrio a noite. Piadas rolaram também, é claro, sobre possíveis pessoas que poderíamos encontrar lá dentro, assombrando o prédio. Já na frente da casa da Lis, sentamos e a conversa continuou, dessa vez o tema foi religião. Um dia, coloco aqui tudo que conversamos sempre sobre isso, hoje não, senão o post ficará enorme. Susto básico de repente, com o irmão da Lis chegando e abrindo o portão eletrônico, depois fomos embora. Tinha sugerido pro Che de cortarmos caminho, por uma estrada de terra, que fica um breu a noite, mas falei zuando. Ele topou! Passamos por uma ponte sobre o rio, e fomos, sem enxergar nada. A lua não ajudava muito. Meu nariz congelava e já dava sinais de que, no dia seguinte, ia ter problemas com as "ites". Fomos conversando. O Che é meu grande irmão que não tive. Quando não estamos discutindo por algum motivo, nos damos muito bem, falamos a mesma língua. Ele me entende como ninguém, me respeita, e isso é recíproco. Já quebramos tantos galhos um do outro, especialmente ele, que junto com o Alan, fez minha volta pra Tambaú ser muito menos dolorosa do que seria, se estivesse sozinho. Por isso, eu devo dizer que essa caminhada até minha casa, com meu amigo, foi o melhor do final de semana, o quanto que conversamos, que rimos. Conversamos sério também. Tentamos nos ajudar sempre, e eu me preocupo muito com o Che, com a forma revoltada e amarga que vê certas coisas. Tenho medo que um dia ele endureça demais, sem volta, eu sei o que é isso. A vida é boa quando a gente tenta extrair dela o máximo de momentos bons possíveis, por mais que tudo pareça infinitamente difícil. Ele tinha deixado a moto dele em casa. Nos despedimos e a noite acabou, sem melancolia dessa vez, às 4 da manhã.

Sábado de manhã, faxina em casa. Dia do encontro quinzenal das matracas da minha casa heheh. Mulheres quando se juntam, sai de baixo. Tem que ter disposição e bom humor nessa hora. Entrevista na rádio Tambaú de manhã, Paulo, o Che e eu, para divulgação da peça. Depois, almoço. Ensaio a tarde, muito calor, algumas piadinhas pra descontrair. A noite, em casa, um sono terrível. 8 e meia da noite, meus amigos todos se arrumando pra sair, a cidade inteira se arrumando e eu caindo de sono. Dormi. 9 e 20 estava de pé, fui encontrar os meninos. Bom, dessa noite, vale dizer do show do SAMBÔ na Lex Luthor que foi ótimo, um dos melhores que já assisti lá. Contagiante! Ah, e a companhia também estava boa, Che, Cesinha, Alan, Leandro (finalmente ele foi, #medo do teto cair), William, Jardão... O que matou a noite? O spray de pimenta no final que obrigou todo mundo a sair, e a discussão que rolou na fila, antes de entrar, entre nós e algumas gurias desconhecidas que estavam na nossa frente. Mas isso deixa pra lá. Muito vinho e cerveja, a velha impulsividade de sempre, e a língua que não cabe dentro da boca...

Domingo foi bom! Sem chance de dar algo errado, saímos, conversamos, bebemos novamente nosso vinho camarada. No Mancha, tocou Cazuza, Elis, Legião, Raul...

Ouvi falar de liberdade nos últimos dias; que se liberta de um relacionamento para se buscar liberdade... O relacionamento que anula o direito do indivíduo de ir e vir, que bloqueia, que poda, realmente não é bom. Mas há de se saber, que não existe harmonia num relacionamento onde não há respeito. E quando há respeito, inevitavelmente isso implica na perda de liberdade, naquela liberdade que deixa a gente fazer o que bem entender, sem pensar em ninguém, sem dar satisfação. Mas essa liberdade, a gente não precisa quando se ama.